quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sempre

Queria poder parar o tempo
e seguir fiel nosso desejo de sermos eternos
para sempre em nosso amor
para sempre em nossos olhares cúmplices
do amor que vimos
e do que não reparamos.

Queria seguir fiel ao nosso sonho
de juntos envelhecer
e espreitar o por do sol
nas rugas de nossa pele então cansada.

Queria sentir pra sempre
nosso carinho combinado
parar o tempo
admirar suas mãos fortes imprecisas
seu abraço amigo e sua doce palavra
seu riso farto em nossa longa caminhada.

Queria poder soprar o tempo
ser pra sempre
o sempre, esse nosso eterno companheiro.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Saudade

Cachoeira triste
brotar lacrimal no olhar sombrio
esbraseado o corpo, inerte o pensamento
invade
a saudade.

Mistura ácida, irrigação desvirginada
reticenciosa sombra no escuro luar
explode
a saudade.

Esguia obscuridade, inquieta palpitação
explosão de estrelas no sonho mágico
chora
a saudade.

Negra luminescência, sorriso espreitado
cheiro do mundo na ausência do ser
sangra
a saudade.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Paula

Moro sozinha em um apartamento.

Não, não sou uma solteirona convicta, ou uma viúva solitária.

Moro sozinha por uma opção profissional, daquelas que, ou você pega e comemora, ou não pega e se arrepende pelo resto da vida, inclusive profissional.

Não sou dada a arrependimentos.

Morava até então numa casa ampla, com filhos, um enorme companheiro, cachorras (duas que valem por vinte e cinco) , canários, tartarugas, periquitos, uvas, pitangas, romãs, acerolas, carambolas, e tantas olas que por lá passavam.

Uma casa pouco silenciosa, eu diria. 

Muitas vozes (altas, italianas), sabores e cheiros.

Uma bela casa, sem dúvida !

E de repente, pimba. Me vi sozinha em outro lugar. Sem cheiro, sem vozes, sem filhos, sem o enorme companheiro...

Comprei cama, fogão, geladeira, tv, dvd, cactus, mais cactus, muitos cactus, secos e resistentes, como o deserto (e a casa).

Algumas garrafas de vinho e muito, muito silêncio...

Tudo no lugar.  Nada se movia, em hora alguma. Só a terra, como em Galileu.

Se fechava a porta pela manhã... pronto !

Abria a porta a noite... pronto !

O desarrumado era o mesmo, tudo no lugar, desarrumado.

Na sexta, janela aberta.

Na segunda, janela aberta (a mesma).  Nem chuva queria alterar algo na casa.

Chuva, que chuva ?

Até que chegou a Paula, sábia criatura.

E tudo mudou !!!